O ano de 2017 foi um ano marcante para o setor solar no Brasil e no mundo. O rápido crescimento da geração distribuída deu ao consumidor o título de “prossumidor”, capaz de produzir a própria energia que consome. Neste artigo compilamos os fatos que mais marcaram o setor neste ano.

Geração distribuída no Brasil

No Brasil, desde 2012, com a entrada em vigor da Resolução Normativa nº 482, o consumidor passou a ter a opção de gerar a sua própria energia. Com a disseminação da geração solar fotovoltaica e o preço alto da tarifa de energia elétrica – que se manteve na bandeira vermelha durante metade do ano – vários consumidores decidiram economizar através da energia solar. O Brasil atingiu 18.938 instalações de sistemas fotovoltaicos de micro e minigeração até a data de publicação deste artigo. Esse número representa uma capacidade instalada de 157 megawatts. Esse valor representa um crescimento de 175% em comparação com o ano de 2016.

Crescimento da geração distribuída no Brasil. Fonte: Aneel.

Geração centralizada no Brasil

A geração centralizada é caracterizada por parques solares que ocupam áreas enormes e geram energia capaz de atender cidades inteiras. Esses parques são contratados nos Leilões de Energia de Reserva da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Em 2017 alguns projetos contratados nos leilões de 2014 e 2015 começaram a entrar em operação. Abaixo você encontra a lista de projetos que entraram em operação e outras informações sobre eles.

Parque Solar

Capacidade instalada Área ocupada Empresa detentora

Pirapora (MG)

400 MW 800 ha EDF Energies Nouvelles (EDF EN) e Canadian Solar
Nova Olinda (PI) 292 MW 690 ha Enel Green Power Brasil
Ituverava (BA) 254 MW 579 ha Enel Green Power Brasil
Bom Jesus da Lapa (BA) 158 MW 330 ha Enel Green Power Brasil
Horizonte (BA) 103 MW

Enel Green Power Brasil

No dia 18 de dezembro deste ano ocorreu o Leilão para Contratação de Energia Nova A-4. Dentre os 25 projetos contratados 20 foram solares. Os preços pelo megawatt-hora (MWh) negociados surpreenderam e foram os mais baixos quando  comparados aos leilões realizados em anos anteriores, média de R$144,51/MWh. O maior empreendimento contratado foi o projeto São Gonçalo (PI) da empresa Enel Green Power. Com previsão para entrar em operação em 2021 serão investidos 355 milhões de dólares na construção. O parque terá 388 MW de capacidade instalada. Outros projetos contratados foram as usinas fotovoltaicas Água Vermelha IV, V e VI da AES Tietê em São Paulo com total de 75 MW, as usinas Solar Salgueiro I, II e III, de 90 MW, no estado de Pernambuco e o parque solar Sertão Solar Brasil que contará com quatro usinas de 28 MW cada, localizado na Bahia.

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Parque Solar Bom Jesus da Lapa (BA). Fonte: Enel Soluções

Energia Solar no Mundo

Mais uma vez a energia solar foi a fonte de energia que mais cresceu no mundo. A China, que já detém a maior capacidade instalada em solar no mundo, contou com metade dos painéis solares instalados no planeta em 2017. O país asiático já ultrapassou o objetivo traçado para atingir em 2020. A capacidade instalada este ano foi de 54 GW, um crescimento de 69%. Em comparação, a China já havia batido o recorde de capacidade instalada no ano de 2016 com 34,5 GW adicionados à matriz elétrica.

A China tomou o posto de liderança no setor após o presidente norte americano Donald Trump anunciar a saída do país do acordo de Paris em junho deste ano. O anúncio já era esperado uma vez que durante toda a campanha eleitoral o presidente já indicava sair do acordo e adotar uma política de incentivo aos combustíveis fósseis. Mesmo com a saída do acordo, os EUA se mantêm como o segundo maior mercado no setor de energia renovável. A incerteza causada pelo governo norte americano sobre reformas nos incentivos fiscais, acordos comerciais e políticas energéticas podem ter implicações para empreendimentos das fontes renováveis e interferir na sua expansão no país nos próximos anos.

Maior banco de baterias do mundo

A Tesla, empresa do bilionário Elon Musk, construiu o maior banco de baterias de íon-Lítio do mundo, no estado australiano da Austrália do Sul. A instalação é 60% maior que qualquer outro sistema de baterias de grande escala já construído no planeta. A fazenda de baterias PowerPack tem 100 megawatts de capacidade e é capaz de fornecer 129 megawatts-hora para a região.

Na semana passada o empreendimento bateu outro recorde fornecendo 100 megawatts para a rede elétrica nacional em 140 milisegundos quando a termelétrica à carvão Loy Yang em Victoria ficou desativada devido à uma falha. Os operadores nacionais ficaram surpresos com a rapidez e a eficiência com que o banco de baterias foi capaz de fornecer energia para o mercado. “Em comparação, a estação geradora da Austrália do Sul, nas Ilhas Torrens, demoraria entre meia hora e uma hora para energizar e sincronizar com a rede elétrica”, disse o Ministro de Energia do estado Tom Koutsantonis. Segundo o ministro, o investimento nas baterias valeu à pena, já excedendo as expectativas no primeiro teste. Uma curiosidade é de que isso tudo aconteceu algumas semanas depois de Elon Musk afirmar que as baterias poderiam fornecer energia à Austrália do Sul por 100 dias, caso contrário ela sairia de graça.

As baterias irão manter as luzes acesas na região que luta para garantir o fornecimento estável de energia há anos.

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Subestação da Tesla de 80MW em Mira Loma, California. Imagem: Tesla

O carro elétrico

Acabar com os carros movidos à combustíveis fósseis é um grande desafio. Mas o crescimento dos carros elétricos vem mostrando sinais de causar uma disrupção no mundo. As preocupações sobre a poluição do ar nas cidades vem puxando esse avanço.

Mais uma vez a China lidera o movimento. O país está vendendo mais carros elétricos que a Europa e EUA juntos. São carros produzidos por fabricantes nacionais como a empresa BYD e logo veremos modelos chineses chegando ao Brasil. Nos EUA a fabricante Tesla lançou um modelo mais acessível Model 3 custando “apenas” 35.000 dólares. As montadoras Volvo e Jaguar Land Rover já anunciaram que irão acabar com a produção de carros movidos apenas à combustíveis fósseis em três anos.

Alguns analistas já dizem que se as taxas de crescimento continuarem, 80% dos carros novos serão elétricos até 2030.

Carro elétrico

Carro elétrico em carregamento. Imagem: Paul Wilkinson/flickr

Rodovias Solares estão à caminho

Com o crescimento dos carros elétricos, o mundo irá precisar de mais maneiras de manter os veículos carregados. As rodovias solares começam a aparecer como uma alternativa. A China começou a construção da maior rodovia solar do mundo. O trecho de 2 km localizado na via expressa da cidade de Jinan é formada por três camadas: um concreto transparente, os módulos fotovoltaicos de dois tamanhos e uma camada inferior que os mantém isolados do solo. A construção da rodovia já está completa faltando apenas a conexão à rede elétrica, com estimativa de ser feita até o fim deste ano.

Essa não é a primeira rodovia solar que o país construiu. Ainda em 2017 foram construídos 160 metros em uma rua na mesma cidade de Jinan. Esse trecho é capaz de se aquecer para manter a via livre da neve e pode um dia ser capaz de carregar de forma wireless carros elétricos.

Como havíamos mencionado na retrospectiva solar de 2016, ano passado uma vila na França inaugurou 1 km de rodovia solar. O primeiro projeto do tipo foi construído em uma ciclovia na cidade de Cromane na Holanda em 2014. Nos EUA o Departamento de Transportes anunciou que irá testar passeios com painéis solares próximo da famosa Rota 66.

Rodovia Solar chinesa

Rodovia Solar chinesa. Créditos da imagem: People’s Network Picture Channel, China

Imagem: minoru karamatsu sob licença CC BY 2.0

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