Entre os dias 28 e 30 de agosto aconteceu a feira e congresso Intersolar South America 2018. O evento é o maior do setor e mostrou as tendências do mercado de energia solar. Além de ser um hub de network onde profissionais têm a oportunidade de firmar parcerias e discutir sobre o futuro do setor, muitos fabricantes aproveitaram a feira para lançar novos produtos no mercado. Dentre os produtos lançados, os sistemas de geração fotovoltaica híbridos se destacaram e puderam ser vistos em diversos estandes. A seguir, veja quais outras tecnologias e assuntos estiveram presentes na Intersolar 2018.

Geradores fotovoltaicos híbridos

Como mencionado, os geradores fotovoltaicos híbridos, capazes de se conectar à rede elétrica e a um banco de baterias ou a geração a diesel/gasolina foram destaque na Intersolar 2018. Com o cenário de incertezas regulatórias que vive o setor e a expectativa de crescimento dos microgrids, essa solução visa atender aos consumidores que buscam mais independência das redes elétricas locais e/ou diminuir os custos com energia durante o horário de ponta (no caso de consumidores da classe tarifária A ou aderentes da tarifa branca).

A PHB Solar trouxe ao mercado uma solução de gerador fotovoltaico híbrido para alimentação de cargas que requerem funcionamento ininterrupto e seguro a partir de diversas fontes de energia (rede elétrica, gerador fotovoltaico, baterias, moto gerador). A operação se dá através de inversores On-Grid em conjunto com inversores Off-Grid, combinando suas características. Esse sistema é modular e cada armário pode atender cargas com potências de até 75 kVA.

Outras empresas apresentaram soluções semelhantes. A WEG por exemplo lançou o seu kit fotovoltaico híbrido de 6,48 kWp. A inovação presente nesse produto é o inversor híbrido modelo SIW300H – M050. Esse inversor, voltado para instalações residenciais, permite a conexão do sistema à rede elétrica local e a um banco de baterias que deve ser adquirido separadamente. A Sices Solar apresentou a solução híbrida do inversor Sungrow integrado a baterias Samsung SDI. Segundo o diretor comercial, Jackson Chirollo, cada inversor pode ser conectado a até três baterias de 4,6 kWh. A Outback Power foi outra fabricante que expôs soluções híbridas, dentre elas o Alino, um dispositivo para gerar, converter e armazenar energia.

Soluções Smart Grid

Inversor Fronius Symo Brasil.

O Smart Grid é uma tendência no setor energético mundial e como estamos falando de uma feira de tecnologia, ele não poderia passar em branco. O termo refere-se a redes elétricas que usam da tecnologia da informação para tornar a distribuição de energia mais eficiente, confiável e segura. Na Intersolar 2018 soluções para smart grid estavam em vários estandes. A fabricante de inversores Fronius expôs o inversor Fronius Symo Brasil, que é trifásico, conta com dois MPPT e é comercializado com potências de 10, 12 e 15 kW. Esse inversor dispensa a necessidade de instalação de um transformador externo, podendo ser conectado à rede trifásica, sendo ideal para redes 220V/127V. Esse aparelho conta também com funções de controle para a alimentação ideal da potência reativa e da potência efetiva, o que garante a operação segura da rede, mesmo nas instalações fotovoltaicas com alta densidade. A fabricante considera que a conexão de série na internet WLAN ou Ethernet e a integração simples dos componentes de terceiros tornam o inversor o mais comunicativo do mercado.

Baterias

Com tantas soluções voltadas para o Smart Grid e Microgrids, as baterias não poderiam ficar de fora da Intersolar 2018. A Outback Power mostrou ao mercado o resultado da parceria com a fabricante de baterias Simpliphi. A solução lançada pelas empresas já havia sido exposta na Intersolar Europa em Munique, na Alemanha, e também esteve presente na Intersolar South America. As baterias Simpliphi são de Fosfáto de Lítio Ferro (LFP) e Cobalto-free, são não tóxicas e têm vida útil de 10.000 ciclos com 100% de descarga. Segundo a fabricante essas características proporcionam até 30 anos de durabilidade. As baterias Simpliphi foram apresentadas como solução integrada ao dispositivo Alino da Outback. A BYD foi outra fabricante que expôs na Intersolar 2018 novas tecnologias de baterias. Assim como a bateria da Simpliphi a bateria da BYD B-Box Pro 13,8 kWh é de LFP e apresenta menor vida útil, 3.000 ciclos completos.

 

 

A aposta das fabricantes nas baterias LFP se deve a alguns fatores tais como:

  • Dispensar sala de baterias já que não emitem gases tóxicos, pois utilizam o ferro como componente principal.
  • Permitirem cargas parciais e operar com qualquer quantidade acumulada de carga, diferentemente das baterias convencionais.
  • Alta corrente nominal e longa vida útil, além de boa estabilidade térmica, maior segurança e tolerância se abusada.

Em contrapartida, as baterias de Li-fosfato têm uma maior autodescarga do que outras baterias Li-íon, o que pode causar problemas de equilíbrio com o envelhecimento.

Carros elétricos

A inserção de veículos elétricos na matriz energética brasileira foi bastante discutida na Intersolar 2018. É fato que o principal gargalo para a expansão dos carros elétricos no Brasil hoje é a falta de infraestrutura de carregamento. Recentemente foi inaugurada na Rodovia Presidente Dutra seis estações de recarga ao longo de 430 km com uma distância de 122 km entre elas, ligando as capitais São Paulo e Rio de Janeiro. Na conferência a fabricante de veículos elétricos chinesa BYD falou sobre a entrega de 30 veículos para a Prefeitura de São José dos Campos (SP). Os carros serão utilizados pela Guarda Municipal e o contrato de locação é previsto até 2022. A empresa ganhou o edital em um pregão eletrônico em abril e contempla a locação de 30 veículos zero km ano 2017/2018. A BYD também expôs na feira Intersolar 2018 o carro elétrico desenvolvido especificamente para os Correios. Além da BYD, a Renault expôs o lançamento Renault ZOE que conta com cinco versões, todas com autonomia superior a 300 km. Lançamentos como esse acompanham o programa Rota 2030, lançado pelo governo em julho, que tem como objetivo estimular a modernização do setor automobilístico e estabelece regras para isenção de impostos.

Módulos fotovoltaicos flexíveis CIGS

A fabricante Hanergy esteve presente na feira expondo a tecnologia de filmes finos flexíveis CIGS. Como o material CIGS pode ser depositados em diversos substratos (vidro, plástico, aço e alumínio), a tecnologia é caracterizada pela versatilidade. A Hanergy fez questão de demonstrar essa versatilidade ao expor produtos tais como mochilas, carregadores portáteis, um guarda-sol e até um aeromodelo.

Regulação

Na conferência Intersolar 2018 as discussões sobre a revisão da regulação sobre o sistema de compensação foi intensa. Bárbara Rubin, vice-presidente da ABSolar, fez um apanhado do desenvolvimento da regulação da REN nº 482/2012, passando pelas atualizações REN nº 687/2015 e REN nº 786/2017. No Congresso Nacional tramita a Revisão do Marco Legal do Setor Elétrico (PL 1917/2015) com a inclusão de tarifação diferenciada, precificação por fonte e redução dos limites para migração ao Ambiente de Contratação Livre (ACL). Na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) ocorre a discussão sobre o estabelecimento de tarifação binômia para baixa tensão através da CP 02/2018 e a revisão da REN 482 através da CP 10/2018. Na revisão CP 10/2018 em pauta discute-se a compensação diferenciada, os limites do Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), as diferentes modalidades de compensação e o desmembramento da composição da tarifa de energia elétrica para a compensação. Da consulta pública a ANEEL trouxe 6 possíveis cenários para o SCEE, no primeiro mantém-se a compensação integral. Nos outros cenários uma componente tarifária deixa de ser compensada.

Fonte: Barbará Rubin. Imagem adaptada.

As entidades do setor como ABSolar, ABGD e CCEE se posicionaram a respeito da revisão. O presidente da ABSolar, Rodrigo Sauaia defendeu a manutenção do modelo de compensação atual baseado no “net metering” e propôs que seja elaborado um estudo mais detalhado e criterioso a respeito das mudanças na regulação para geração distribuída, sugerindo que seus benefícios, incluindo as externalidades positivas, devam ser incorporados na construção do modelo tarifário. Além disso, Rodrigo Sauaia informou que dentre as ações da entidade em andamento estão a efetivação da adesão dos estados remanescentes (AM e SC) ao Convênio ICMS nº 16/2015 e a proposta de um novo Convênio ICMS ao Confaz, incluindo a isenção para minigeração de até 5 MW e para as modalidades de compensação de múltiplas unidades consumidoras, geração compartilhada e autoconsumo remoto.

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), representada por seu gerente executivo de regras, capacitação e preços, Cesar Pereira, defendeu os benefícios do preço tarifário horário e indicou que a previsão para 2019 é uma redução da disponibilidade de energia de fontes incentivadas no ACL.

Tendências no setor elétrico brasileiro

Durante toda a conferência Intersolar 2018 discutiu-se o futuro do setor energético brasileiro e o papel da geração distribuída. Amilcar Guerreiro, diretor de Estudos de Energia Elétrica  da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostrou dados preliminares do que estará presente no Plano Decenal de Expansão de Energia, PDE 2027. O plano tem previsão de ser concluído em setembro e quem esteve presente na conferência pôde ver uma prévia do estudo. Amilcar enalteceu o potencial fotovoltaico no Brasil tanto para a geração distribuída (GD) quanto para a geraçāo centralizada. Segundo a EPE, até maio de 2018 a oferta de energia no Brasil atingiu 161,7 GW, sendo 1,2 GW provenientes de fonte solar fotovoltaica, o que representa 0,8%. A projeção para 2027 é de que a oferta chegue a 206,5 GW, com 8,6 GW de fonte solar, representando 4,2% da matriz energética. Outro ponto destacado por Amílcar foram os preços da energia apurados nos leilões de 2017 e 2018. As fontes eólicas e solares foram negociadas com menores preços que a biomassa (valor médio de R$215/MWh) e do que as PCHs e CGHs (valor médio de R$206/MWh). A energia de fonte eólica foi contratada com valores médios de R$97/MWh e a fonte solar fotovoltaica de R$129/MWh. Os estudos da EPE também indicaram a necessidade de instalação de cerca de 13 GW visando o armazenamento de energia nos próximos 10 anos.

 

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