Nunca foi tão barato possuir uma usina de geração fotovoltaica para sua residência ou empresa. Segundo relatório da Greener, o preço da energia solar caiu quase 24,04% em 2017. Será que essa tendência permanecerá nos próximos meses ou anos? Neste artigo tentaremos responder a esta pergunta.

O preço da energia solar acompanha o custo dos equipamentos componentes de um sistema fotovoltaico (custo dos módulos fotovoltaicos e dos inversores) e os custos de integração (custo de instalação e projeto). Discutiremos cada um desses custos a seguir.

O custo dos módulos fotovoltaicos

Principal componente dos sistemas de energia solar fotovoltaica, o custo dos módulos impacta diretamente o preço final e é essencial para entender o preço da energia solar. Segundo o NREL (National Renewable Energy Laboratory) o preço dos módulos fotovoltaicos caiu incrivelmente nos últimos 7 anos, variando de $1,80/watt em 2010, até $0,35/watt em 2017 para módulos de silício policristalino.

preço da energia solar

Preço histórico dos módulos fotovoltaicos (Fonte: NREL).

Como pode-se perceber, após queda bastante acentuada nos preços ao longo dos anos de 2011 e 2012, o custo dos módulos fotovoltaicos atingiu um patamar relativamente estável. Essa queda, obtida no começo da década, foi alcançada através do crescente esforço em melhoria dos processos de fabricação e aumento da eficiência dos módulos. Nos anos seguintes essa eficiência foi se aproximando de seu limite teórico, dificultando as reduções efetivas nos custos de produção destes equipamentos. Já a queda observada entre o ano de 2016 e 2017 é explicada por variações cambiais entre o Dólar americano e o Yuan chinês.

Segundo a Greener observou-se no Brasil um cenário um pouco diferente, com uma queda mais acentuada nos preços dos kits fotovoltaicos nos últimos 12 meses. Essa redução ocorreu devido à entrada de novos players no mercado nacional, sacrificando a margem dos fabricantes e distribuidores ao comercializar o produto no país. Considerando que o mercado vem se consolidando no país e a tecnologia já se encontra madura, pouco pode-se prever em termos de preço deste equipamento, que deve oscilar muito mais por razões mercadológicas e cambiais do que por efetiva alteração nos custos de produção.

Recentemente Hugo Albuquerque, diretor da Canadian Solar (um dos maiores fabricantes de módulos fotovoltaicos do mundo), na América do Sul e Central, afirmou que a tendência é um aumento no preço dos módulos em 2018. Isso ocorrerá devido a um déficit de 10 GW na cadeia de produção Chinesa. Enquanto a expectativa era de atingir a marca de 42 GW instalados em 2017, a China caminha para atingir a marca de 52 GW ainda neste ano. Desta forma, os módulos produzidos no país devem atender principalmente à demanda local, implicando em uma falta do produto no mercado e, consequente, aumento de preços nos demais países do mundo.

O custo dos inversores

Os inversores, por sua vez, apresentam um cenário distinto. Nos últimos anos não se observou uma queda acentuada nos preços para inversores centrais, que oscilaram entre $0,38/watt e $0,25/watt. Por outro lado, para os microinversores a situação é um pouco diferente, observando-se clara tendência de queda nos preços, que caíram aproximadamente 35% entre o primeiro trimestre de 2014 e o primeiro trimestre de 2017. Esses dados podem ser observados no gráfico abaixo.

Preço inversores

Preço histórico dos inversores (Fonte: NREL).

Diante deste cenário, assim como nos módulos fotovoltaicos, os preços dos inversores centrais tendem a oscilar mais em função de razões mercadológicas e cambiais do que em função do amadurecimento da tecnologia. O mesmo não ocorre com os microinversores, apontando para uma tendência da aproximação dos preços de sistemas com esta tecnologia e sistemas com inversores centrais, possuindo cada uma das tecnologias suas vantagens, a serem discutidas no artigo da próxima semana.

Custo de integração

O principal elemento relacionado ao custo de integração é o custo de instalação do sistema. Com a popularização da tecnologia surgiram diversas novas empresas que prestam esse tipo de serviço no mercado, o que favorece a concorrência e resulta em redução dos preços às custas do aumento da eficiência e redução da margem das mesmas. Muitas vezes essa redução é acompanhada da diminuição da qualidade do serviço prestado. Assim sendo, é importante ficar atento à capacidade técnica e histórico da empresa que realizará a instalação.

Segundo o relatório da Greener, de junho de 2016 a junho de 2017 a redução média desse custo foi de 17,7% para sistemas fotovoltaicos de até 500 kWp.

É importante ressaltar que este custo está fortemente ligado às condições socioeconômicas do país. Em um cenário de elevado índice de desemprego o custo da mão de obra tende a ser marginalizado, barateando os sistemas. Em um panorama de recuperação econômica e diminuição na disponibilidade de mão de obra esse custo tende a subir significativamente, impactando no preço final do sistema.

Afinal, investir agora ou esperar?

Para responder a esta pergunta faremos um estudo de caso. Considere as seguintes premissas:

  • Consumidor em Belo Horizonte/MG com consumo médio de 700 kWh/mês
  • Tamanho do sistema fotovoltaico: 5,2 kWp
  • Preço do sistema: R$ 30.250,28
  • Tarifa energética: R$ 0,83

A conta de energia atual deste consumidor é:

700 kWh x R$ 0,83 = 581,00

Após a instalação do sistema fotovoltaico, esse consumidor passaria a pagar apenas o custo de disponibilidade, equivalente a:

100 kWh x R$ 0,83 = 83,00

Dessa forma o sistema fotovoltaico representaria uma economia mensal de:

R$ 581,00 – R$ 83,00 = R$ 489,00

Em um ano seria economizado R$ 5.976,00. Caso o consumidor opte por não instalar o sistema hoje e resolva investir o valor em uma aplicação rendendo 100% do CDI, ele teria ao final de 1 ano R$ 31.969,78 (já descontado o imposto de renda), representando um ganho de:

R$ 31.969,78 – R$ 30.250,28 = R$ 1.719,50

Fazendo a diferença entre a economia com o sistema e os rendimentos do investimento seria necessária uma redução de R$ 4.256,50 (14,07%) no preço do sistema em 1 ano para compensar esperar a queda de preços. Segundo relatório da Greener (2018), no segundo semestre de 2017 a redução de preços foi de 4,75%, o que representaria 9,5% extrapolando os valores para 1 ano.

Considerando uma redução de 9,5% o sistema custaria ao final de 1 ano R$ 27.376,50, dessa forma o resultado financeiro para o consumidor seria:

R$ 30.250,28 – R$ 27.376,50 = R$ 2.873,78

R$ 2.873,78 + R$ 1.719,50 = R$ 4.583,28

R$ 4.583,28 – R$ 5.976,00 = R$ -1.382,72

Diante desse cenário observa-se que caso o consumidor opte por esperar estaria perdendo R$ 1.382,72. Esses resultados são ainda mais significativos uma vez que fomos conservadores nessa análise, pois não foram considerados os constantes aumentos na tarifa de energia. Também não foram considerados ganhos intangíveis, como valorização do imóvel e da marca, bem como benefícios ambientais.

Conclusão

No que se refere aos equipamentos, o custo dos sistemas fotovoltaicos podem ser comparados a outros itens com os quais já estamos familiarizados, como por exemplo as TVs de LED. Nos primeiros anos após a chegada desses itens ao Brasil houve uma grande queda nos preços, que se estabilizaram em seguida. Hoje nota-se a agregação de novas tecnologias, como as Smart TVs e as resoluções 4K, sem quedas significativas nos preços. Os equipamentos fotovoltaicos devem se comportar da mesma forma, oscilando os preços em função do mercado e do câmbio e com uma busca constante por tecnologias a serem agregadas, como melhoria nas eficiências e sistemas de monitoramento mais avançados.

Já em relação aos custos de instalação pouco pode-se prever, uma vez que são diretamente dependentes das condições econômicas do país. Dessa forma, diferentemente dos últimos anos, não se deve notar forte redução nos custos de uma instalação fotovoltaica a médio prazo, sendo que, dependendo da recuperação econômica do país, pode-se perceber o caminho oposto, com aumento do preço dos sistemas. Vale ressaltar que o preço da energia solar deve sempre ser analisado em comparação com o custo da tarifa energética que, de igual maneira, recebe forte influência das condições socioeconômicas do país.

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