O custo da energia solar vem decaindo ao longo dos anos. Sete anos atrás, se alguém quisesse instalar energia solar fotovoltaica em sua residência teria que lutar para encontrar um instalador e lutar para conectar seu sistema à rede devido a falta de regulamentação. Hoje, o custo dos módulos fotovoltaicos é aproximadamente 100 vezes menor do que eram 40 anos atrás, o número de empresas que oferecem serviços de instalação aumentou e a resolução normativa ANEEL nº 482/2012 foi criada possibilitando a qualquer pessoa gerar sua própria energia.

A tendência de menores custos da energia solar aliada ao maior acesso parece não mostrar sinais de queda. A cada ano está se tornando mais viável instalar um sistema fotovoltaico – de fato, a energia solar oficialmente se tornou mais barata que as tradicionais fontes de energia fóssil em alguns países, incluindo o Brasil, no ano passado.

Aqui vão sete fatores que contribuíram com a queda dos custos da energia solar.

1. Maior popularidade

A energia fotovoltaica cresceu muito nos últimos anos. Em janeiro de 2017 o Brasil ultrapassou o número de 8.000 unidades consumidoras com geração distribuída de fonte fotovoltaica. Há ainda bastante campo para o crescimento se considerarmos que os EUA já conta com mais de um milhão de instalações fotovoltaicas residenciais, mesmo tendo áreas onde a radiação solar é muito inferior à brasileira. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha mostra que 72% dos entrevistados disseram que fariam a aquisição de um sistema de geração própria de energia caso houvesse linhas de crédito com juros baixos. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), até 2024 o Brasil pode ter mais de 1,2 milhão de sistemas instalados.

2. Maior penetração de mercado

A Alemanha foi o primeiro país a fomentar o desenvolvimento da energia fotovoltaica. O país foi seguido por potências como EUA e China, que hoje são os países com a maior capacidade instalada. Esse “boom” no mercado fotovoltaico foi responsável pelo surgimento de aglomerações de alta tecnologia que exportam módulos fotovoltaicos para o mundo inteiro. Isso foi um fator determinante na redução do custo da energia solar. No Brasil, uma das maiores fabricantes de módulos fotovoltaicos do mundo inaugurou sua fábrica na cidade de Sorocaba (SP). Esse movimento foi seguido por outros fabricantes que já tem plano de inaugurar linhas de montagem no país de olho no crescimento do mercado de energia solar no Brasil.

3. Adoção pelo meio corporativo

Grandes corporações como Google, Walmart e Apple instalaram módulos fotovoltaicos em seus edifícios e são exemplos para seus funcionários e a sociedade. Recentemente, no dia 2 de março, a Associação Catarinense de Supermercados (Acats) lançou o projeto Supermercados Solares, que visa facilitar o financiamento de sistemas fotovoltaicos a serem instalados nos estabelecimentos. Essa adesão do mundo corporativo alavanca o crescimento da energia solar e, portanto, contribui com a queda nos custos.

4. Materiais mais baratos e eficientes

Graças à demanda crescente e avanços tecnológicos, os insumos usados na produção dos módulos fotovoltaicos estão cada vez mais baratos: em três anos os custos dos módulos caíram cerca de 60%. O preço dos inversores, equipamentos aos quais os módulos são conectados, também estão caindo. Essa queda nos custos é acompanhada por maiores eficiências, fazendo com que o custo da energia solar seja ainda menor.

5. Maiores incentivos

No Brasil, atualmente o incentivo que existe em âmbito federal é a isenção do ICMS para a energia gerada pelas unidades e devolvida à rede de distribuição. Até o momento 21 estados aderiram ao incentivo. Há casos de cidades que oferecem desconto no IPTU e o governo federal estuda a liberação do FGTS para a aquisição de sistemas fotovoltaicos. Nos EUA, apesar das atuais ameaças do presidente eleito Donald Trump de acabar com os incentivos à energia renovável, os incentivos federais e estaduais foram cruciais para o rápido crescimento da tecnologia. O “Solar Investment Tax Credit” oferece 30% de créditos para aqueles que instalam sistemas fotovoltaicos residenciais ou comerciais.

6. Causa ambiental

A indústria do petróleo é uma grande emissora de dióxido de carbono (CO2), um dos gases responsáveis pelo efeito das mudanças climáticas. Na contramão, a energia solar e outras formas de energia renovável como a eólica não emitem CO2 além do que é emitido durante a etapa de produção dos equipamentos. Portanto, legisladores e organizações têm trabalhado no sentido de fomentar e popularizar as fontes de energia limpa em detrimento das fontes emissoras de gases de efeito estufa.

7. Menores “soft costs” 

Além dos materiais e instalação, a energia fotovoltaica requer os chamados “soft costs” ou custos estratégicos que são mais difíceis de quantificar e que podem afetar profundamente a competitividade de uma empresa. Custos com logística, marketing, contábil, financeiro e de aquisição do cliente são enquadrados nessa categoria e também tendem a cair com o maior amadurecimento do mercado no setor, aumentando a competitividade e contribuindo com a redução do custo da energia solar.

Todo esse desenvolvimento garante uma relação em que todos ganham, tanto a indústria solar, quanto a sociedade e o meio ambiente. Nos próximos anos provavelmente veremos custos ainda mais baixos. Não há mais dúvidas que a energia solar tem o seu lugar no futuro da geração de energia brasileira e mundial.

Foto: Activ Solar under a CC BY-SA 2.0 license.

Leia também: O preço da energia solar está caindo?

Assine nossa newsletter e fique por dentro das notícias sobre a energia solar!