Sustentabilidade, do latim sustentare, que significa apoiar, sustentar ou cuidar, traz consigo a ideia de uma ação que não prejudique as gerações, ou atividades futuras que irão se utilizar da mesma para suprir as necessidades dispostas pela ação em referência. Desta definição prévia, e tendo como contexto a energia elétrica, destacam-se as seguintes reflexões: “As matrizes energéticas nacionais e mundiais são sustentáveis a ponto de se preocupar com o futuro? Senão, como podemos solucionar este problema?”. Este artigo irá te apresentar quais são os principais problemas relacionados a fontes de energia não renováveis e como a energia solar vem como solução  inovadora neste meio.

Qual o cenário atual e quais ações estão sendo tomadas em prol do meio ambiente

Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, a matriz energética mundial no ano de 2019 concentrou- se no uso de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, sendo estes dois dos principais agentes do aquecimento global.

Assim, tendo como consequência mudanças climáticas bruscas, como ilhas de calor e instabilidade das estações do ano, levando até mesmo o aumento do nível dos oceanos pelo derretimento das calotas polares austral e boreal.

Em contrapartida, ainda em 2019, o Ministério de Minas e Energia do Brasil apontou dados que, de forma clara e simples, a matriz energética do Brasil tinha como ordem de 53,9% não renovável e 46,1% renovável, tendo como principais fontes a queima de petróleo/derivados e hidráulica/elétrica, respectivamente. 

Com este cenário que, de fato, é prejudicial para a vida humana e o meio ambiente, a ONU (Organização das Nações Unidas), no ano de 2015, apresentou o tratado de Paris na COP 21          (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015), que se baseia na diminuição de emissão dos gases GEE (Gases do Efeito Estufa) e, em conjunto, os países que participaram desta conferência se propuseram adotar medidas em prol desta temática.

Atualmente, o mundo inteiro está passando por uma crise de saúde e financeira preocupante, por consequência da pandemia do novo coronavírus (COVID-19), assim prejudicando a maioria dos mercados nacionais e internacionais. Porém, em contrapartida, segundo a International Energy Agency (IEA), o impacto da COVID-19 na implantação de energia renovável no ano de 2020 demonstra, principalmente no segundo semestre, uma resiliência em relação à crise na área de eletricidade. No geral, as energias renováveis, como eólica e solar, devem corresponder a 95% do aumento líquido da capacidade global de energia até 2025. Um dos motivos que explicam esse fato está no custo mais baixo por megawatt-hora das fontes renováveis. 

No entanto, a Bloomberg também aponta que no ano de 2019 a energia solar foi responsável por apenas 2,7% da energia elétrica gerada no mundo, pois, no momento atual, a energia solar possui uma menor capacidade de geração instalada comparada aos combustíveis fósseis.

Como a energia solar contribui com o Meio Ambiente?

Tecnologias baseadas em fontes renováveis, tais como a solar e eólica, estão contribuindo para minimizar os impactos das atividades humanas no meio ambiente. A energia eólica funciona a partir dos ventos, já a energia solar usa como principal combustível o sol, estrela central de nosso sistema solar, que lança partículas luminosas (fótons) que, por sua vez, contém energia para alimentar as placas fotovoltaicas. 

A energia solar se tornou um ótimo investimento em todo o mundo, pois tem retorno garantido em poucos anos, contribuindo com a redução de emissões dos gases de efeito estufa, dado que em média 1 tonelada de CO2 não emitido equivale ao plantio de 7 árvores, em seus primeiro 20 anos, segundo pesquisas do IBF (Instituto Brasileiro de Florestas). Com isso, a tecnologia vem sendo amplamente adotada em países que não possuem tanto potencial de geração hídrica como o Brasil, tais como a Alemanha e o Japão.

Mesmo que o benefício da energia solar pode trazer para os vários países do mundo seja evidente, o Brasil ainda possui algumas barreiras ideológicas e organizacionais, em termos de investimento, como expõe a ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) em sua publicação “Energia Solar Fotovoltaica e as Políticas de Desenvolvimento”, que aponta a realidade do mercado solar frente aos grandes grupos econômicos conservadores e tradicionais no setor elétrico, como as concessionárias de energia elétrica.

Um dos motivos desta barreira são as alegações de que, se os consumidores se tornarem independentes, iria ameaçar as receitas das grandes concessionárias. 

De toda forma, mesmo com esta dificuldade encontrada dentro do mercado de energia brasileiro, o Brasil possui uma área em potencial para ser aproveitada com a geração solar, em toda sua extensão, como mostra a imagem a seguir:

O que são as ODS´s da ONU? Como elas contribuem com o Meio Ambiente?

As ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) são objetivos ligados à sustentabilidade apresentados pela ONU no ano de 2015 para os 193 países membros que, até o ano de 2030, melhorem aspectos, como a emissão de GEE, em seu território nacional. Com isso, a energia fotovoltaica está dentro de alguns destes objetivos, que são:

3: De acordo com o artigo 225 da constituição federativa brasileira, todos os cidadãos têm direito ao meio ambiente equilibrado. Este artigo e o objetivo 3 reforçam que a energia solar, de fato, melhora a saúde e bem estar de todos, pois não polui a atmosfera;

7: Os painéis solares não emitem GEE e, pela luz do sol ser universal, qualquer pessoa com um sistema adequado pode se produzir sua própria energia e consumi-la localmente;

11: A energia solar dentro das cidades traz consigo a ideia de cidades sustentáveis, pois elas produzem a própria energia que gastam;

13: Com a utilização de fontes energéticas renováveis, iria diminuir uma quantidade significativa de GEE emitidos para a atmosfera;

15: A queima de combustíveis fósseis polui gradativamente o ar, rios e o próprio solo. Assim, como a energia solar não polui o Meio Ambiente, esta traz consigo o equilíbrio ambiental, sustentabilidade.

Afinal, as iniciativas atuais vão ser suficientes?

A energia solar, assim como outras fontes renováveis,  tem uma importante contribuição na redução das emissões de GEE. Com uma matriz energética mais limpa, o impacto das atividades humanas no meio ambiente é minimizado. Contudo, a transição energética deve ser acompanhada de outras iniciativas, tais como controle das queimadas de matas e florestas, melhor gestão de resíduos provenientes da agropecuária e diminuição da utilização de combustíveis fósseis.

Portanto, dentre tudo que foi discutido neste artigo, não haverá mudanças significativas para o mundo se não houver boa vontade dos governantes e ações em conjunto para reduzir os impactos da ação humana sobre o meio ambiente.

Por isso, é considerado uma boa iniciativa para os governos dos Estados políticas de transição energética com incentivos fiscais para fontes renováveis. O planejamento urbano, seguindo o conceito de cidades sustentáveis, também é uma boa alternativa que deve ser avaliada e aplicada em todas as esferas contribuindo com a redução dos impactos das atividades humanas no meio ambiente.

“É muito importante para o futuro do mundo. É muito importante para toda a vida na Terra. Isso substitui os partidos políticos, raça, credo, religião, não importa. Se não resolvermos o meio ambiente, estaremos todos condenados.”

Elon Musk

Referências:

15 conclusões do relatório sobre mudanças climáticas. Acesso em 14 de dezembro de 2020.

Novo Sistema facilita consulta sobre potencial de energia solar. Instituo de Pesquisas Espaciais. Acesso em 14 de dezembro de 2020. 

Calculadora de CO2. TJPR, Gestão Ambiental. Acesso em 14 de dezembro de 2020.

Vitória. Ana. PANORAMA ATUAL E PERSPECTIVAS FUTURAS DAS FONTES DEENERGIA RENOVÁVEIS INTERMITENTES NO NORDESTEBRASILEIRO. Acesso em 10 de dezembro de 2020. 

Ministério de Minas e Energia. Eficiência Energética e Recursos Energéticos Distribuídos. Acesso em 10 de dezembro de 2020.

Fundação Getúlio Vargas. Dados- Matriz Energética. Acesso em 11 de dezembro de 2020.

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